15 setembro 2015

Sri Prem Baba. A Índia é aqui.

Cinco dias com o guru do amor.
O que aconteceu dentro de mim - e ao meu redor – durante um retiro espiritual com Sri Prem Baba

Ivan Martins /Revista Época

Você percebe que é um ateu de coração mole quando se põe a chorar no meio de um mantra indiano, sensibilizado pela música, pela devoção das pessoas ao seu redor e pela avalanche de sentimentos inesperados que aquilo tudo provoca. Lágrimas quentinhas começam a escorrer pelo rosto e você se pergunta – a exatos 1059 quilômetros de São Paulo, no meio do cerrado ressecado de Goiás, num salão com 200 pessoas reunidas na presença de um guru – o que está acontecendo naquele estranho momento e naquela inédita situação.










Para entender a cena, é necessário dar um passo atrás no tempo e fazer um flashback, como nos filmes americanos.
No início de junho, fui procurado por pessoas ligadas ao Sri Prem Baba, um brasileiro de quase 50 anos reconhecido como mestre de uma velha linhagem de mestres espirituais indianos. Até então eu não sabia nada sobre ele. Prem Baba era para mim apenas o nome de um guru que falava de amor para artistas. Não sabia que era brasileiro e muito menos que congregava ao redor dele tanta gente, de tantas partes do mundo. Soube então, pelos devotos, que o guru havia escrito um livro sobre relacionamentos e que gostaria que eu participasse do lançamento. Pedi para ler o livro, chamado Amar e ser livre. Gostei. Depois pedi para conhecer Prem Baba pessoalmente. Também gostei. É um homem suave, inteligente, acolhedor. Combinamos minha participação no lançamento, marcado para o dia 20 de julho.
Lá, no teatro abarrotado da Livraria Cultura do Conjunto Nacional, em São Paulo, descobri como Prem Baba é popular. A fila para obter uma dedicatória dele saía da livraria e avançava pela Alameda Santos. Era maior que a fila de autógrafos formada no mesmo local, em agosto de 2013, para o lançamento do livro em português de Sasha Grey, a jovem rainha dos filmes pornôs, famosa no mundo inteiro. Sei disso porque estive presente nas duas ocasiões.
Na sala dos mantras e das palestras. Um vislumbre da rotina monástica. (Foto: Ivan Martins)


Durante o lançamento do livro, descobri o olhar intenso de devoção que as pessoas dirigem ao Baba, como todos o chamam. Os devotos colocam as mãos juntas como numa prece, com os dedos em frente dos lábios, e fitam o guru embevecidos, os olhos muitas vezes úmidos de lágrimas. É bonito e meio assustador. Nesse mesmo dia, manifestei a vontade de saber mais sobre ele, de participar de um de seus encontros. Semanas depois, fui convidado a ir a Goiás, onde o movimento criado em torno de Prem Baba – chamado de Awaken Love, ou Despertar do Amor – aluga há dois anos uma fazenda a três horas de carro de Brasília, no município de Alto Paraíso. O guru passa os meses de setembro e outubro ali, dando palestras diárias, enquanto os devotos e visitantes como eu chegam e partem, depois de alguns dias numa espécie de retiro.  
Foi assim que eu cheguei ao momento de chorar durante o mantra, comovido com alguma coisa que eu não sabia – e ainda não sei exatamente – o que era. Acho que todos nós somos meio quebrados por dentro. Há muita angústia, muita dor, muito ressentimento acumulado. Talvez estejamos todos à espera de um momento de catarse para colocar tudo isso para fora. O meu foi aquele. As lágrimas e a comoção inesperadas abriram uma porta por onde o cinismo saiu de fininho, dando lugar a uma disposição mais amena de escutar e, sobretudo, sentir, com a guarda baixa.
Caderninho com mantras. Palavras de sentindo insondável, mas que comovem  (Foto: Ivan Martins)


Cheguei ao Novo Portal da Chapada – esse é o nome da fazenda – na manhã de quinta-feira, 3 de setembro. Havia muitos carros, muita gente, seguranças e controles, além de sol e poeira. Era pouco mais de 11 horas da manhã e Prem Baba estava no meio da sua palestra diária, chamada de satsang. Ele se senta numa poltrona branca, na parede mais longa de uma grande sala acarpetada em formato retangular, e as pessoas sentam-se à sua volta, no chão ou em cadeiras de plástico brancas. Muitos escutam de olhos fechados, em posição de meditação. Minha primeira impressão, depois de olhar para a audiência, veio na forma de uma pergunta: “De onde saiu tanta gente bonita”?
Naquele dia, ele falou sobre cobras e cordas – uma parábola sobre a ilusão em que as pessoas vivem imersas, segundo a tradição religiosa e filosófica hindu. Tudo é um sonho repleto de medo e luxúria, até que a meditação retire o véu e permita ao iniciado perceber o mundo como ele é. Quando isso acontece, ele entra em sintonia com o Divino, que, na verdade, é ele mesmo. Parece complicado? Realmente é, mas no segundo dia você já acha perfeitamente natural. Tudo na vida é contexto e companhia.
Sono e WiFi. A sesta compete com a tentação das redes sociais (Foto: Ivan Martins)


Prem Baba fala devagarinho, com frases curtas que uma tradutora jovenzinha, com cara de adolescente, verte para o inglês com sonoridade e precisão. A conversa dele é simples e direta, alternando temas. Ele gosta de fazer piadas e ri gostosamente. Faz parte do carisma dele esse senso de humor afetuoso.
No meu segundo dia lá, respondendo à carta de um devoto, ele falou sobre a necessidade de desapego entre pessoas que se amam: você não pode, diz o guru, exigir amor exclusivo 24 horas por dia. Não se pode passar a vida perseguindo esse amor absoluto e controlando os outros apenas para sentir-se seguro. Bingo. Até eu sou capaz de entender isso.
No terceiro dia, ele voltou a um tema doutrinário: era aniversário do surgimento de Krishna, uma das divindades mais cultuadas do hinduísmo, e Prem Baba falou sobre os dois caminhos que levam à superação do sofrimento humano, a meditação e a devoção. A fala dele nem sempre é logicamente consistente e às vezes mistura temas aparentemente incongruentes – como traumas infantis e a destruição da natureza - mas é sempre emocionalmente eficaz.
No 7 de setembro, meu último dia no retiro, ele comparou o aprendizado espiritual a uma autoescola em que o corpo era o carro. Disse que era preciso aprender a tomar o controle do corpo, em vez de permitir que ele fosse guiado por impulsos e traumas inconscientes. A alternativa a isso seria permanecer na ignorância, preso a um ciclo permanente de sofrimento. “O sujeito nasce, transa um pouquinho, faz uns filhinhos, compra umas coisas, e morre. Então volta, transa um pouquinho, faz uns filhinhos, compra umas coisas, e morre. Então volta, transa um pouquinho, faz uns filhinhos, compra umas coisas...”.
Embora ele fale com expressão séria, na segunda repetição a audiência já está rindo, e ri cada vez mais alto enquanto ele resume a futilidade da existência a cinco verbos repetidos. Não é preciso acreditar em reencarnação para rir com ele e perceber a mensagem de autotransformação que ele enfaticamente oferece.
No meu segundo dia em Alto Paraíso, o Baba – a essa altura, eu também já me sentia íntimo - me convidou para conversar. Privilégio de jornalista. Nos encontramos ao cair da tarde, no início de uma trilha de três quilômetros que percorre a propriedade. O guru, menor que eu e mais forte, disparou na frente, falando. Eu tentei manter o passo, contrariado, mas depois que lembrei que o cara, guru ou não, era cinco anos mais jovem do que eu, e parecia estar em boa forma. Relaxei e fiquei um passo atrás, escutando e perguntando.
Disse a ele que parecia haver uma contradição entre devoção e autoconhecimento. Ou a pessoa se esforçava para entender racionalmente o que acontecia dentro dela ou se entregava emocionalmente ao guru. Ele respondeu que a contradição era só aparente. Lá na frente, a emoção permitia que o sujeito superasse barreiras que ele não superaria apenas pela investigação racional de si mesmo. O guru fala de traumas e imagens congeladas, em egos presos ao passado que relutam em se libertar. Freud e hinduísmo se fundem sob o céu azul profundo do cerrado, enquanto ele avança sobre a trilha.
Pergunto se ele não se assusta com as lágrimas e a devoção das pessoas, se isso não afeta a sua personalidade. Ele diz que está acostumado, que desde o tempo em que era psicólogo tinha de lidar com o fenômeno da transferência. Sugere que os excessos da devoção são uma fase passageira, que eles ficam para trás quando o discípulo aprende mais sobre si mesmo. Prem Baba tem um método, chamado Caminho do Coração, com vários cursos e várias etapas, que promete ajudar as pessoas a se entender melhor e fazer a transição entre a confusão e a clareza. Os devotos que já fizeram os cursos me juram que funciona maravilhosamente, mas eles não são críticos imparciais das coisas que vêm do seu guru.
Do ponto de vista da doutrina, Prem Baba é um inovador. Ele juntou a tradição hindu com conceitos de psicologia ocidental e acrescentou uma pitada de milenarismo ecológico: nossa salvação pessoal está ligada ao destino do planeta. O resultado, extremamente heterodoxo, parece atraente para muitos jovens instruídos que não encontram resposta para as suas ansiedades existenciais no mercado, na política ou nas religiões tradicionais. Há muitos deles em Alto Paraíso, inclusive estrangeiros. Eles vêm da Austrália, Alemanha, Estados Unidos, Cingapura, de toda parte. São bonitos, simpáticos e laboriosos, e parecem genuinamente felizes. Se comunicam em inglês, com algumas palavras em português de iniciante. Acompanham o mestre em seus deslocamentos entre Índia e Brasil, realizando as tarefas necessárias para que “o movimento” avance. Vivem uma espécie de retiro espiritual permanente, que os afasta da vida mundana e dos seus problemas e realizações. São ao mesmo tempo devotos, trabalhadores voluntários e propagadores da doutrina - assim como os brasileiros.
Para quem viveu aquela época, os jovens brasileiros ligados mais intensamente a Prem Baba lembram os militantes políticos dos anos 1980: o movimento ocupa o centro da vida deles. O resto é o que fazem em tempo parcial para pagar as contas. Há jornalistas, arquitetos e advogados. Muitos usam nomes indianos como Mucta e Paramita, adotados na sua iniciação pelo guru. Todos têm uma história de redenção pessoal a contar. Ela passa, quase invariavelmente, por um período de intensa angústia e falta de rumo, encerrado pelo encontro com o guru brasileiro na Índia. Prem Baba passa parte do ano pregando na cidade de Rishikesh, no norte do país, sede da linhagem de gurus que o escolheu como líder em 2002. Os brasileiros que o encontraram por lá parecem vir de famílias abastadas. Se há pobres entre eles, não se percebe. O que se nota em proporção acima da média brasileira é a presença de gente que seria confundida com os nativos de qualquer cidade da Europa. No Brasil, isso é quase sempre um indicador de origem privilegiada.
A biografia do próprio Prem Baba nada tem a ver com essa origem.
Moreno, de cabelos crespos e olhos escuros, ele tem a cara da maioria dos brasileiros. Nasceu no bairro da Aclimação, em São Paulo, em 1965, depois de uma gravidez acidental entre jovens solteiros. O pai, que tinha dinheiro, se afastou e ele foi criado pela avó. Cedo descobriu as religiões alternativas. Foi espírita, rosacruz, envolveu-se com o Santo Daime e tornou-se terapeuta dos que buscam a planta alucinógena amazônica para entender e tratar suas angústias. Quem o conhece dessa época – quando ainda se chamava Janderson Fernandes de Oliveira – diz que ele já demonstrava “compaixão e capacidade de amar” muito acima do normal.
Janderson cursou psicologia, se casou três vezes, teve uma filha hoje adolescente e foi parar na Índia, atendendo a um chamado espiritual. Lá, converteu-se em discípulo do guru Maharajji, que antes de morrer o escolheu como sucessor da linhagem – algo que nem todos na Índia receberam pacificamente. “Alguns, que não ouviram diretamente dele, têm dificuldade em me aceitar”, diz Prem Baba. Além de estrangeiro, criado fora da tradução hindu, o brasileiro não fala hindi e apenas arranha o inglês. “O mestre me escolheu porque sabia que era a hora de levar a mensagem ao Ocidente, juntando a tradição com as ideias que eu trazia”.
Prem Baba dirige hoje uma pequena multinacional com sedes na Índia e no Brasil, e postos avançados espalhados em outros países. A organização se financia com doações e com pagamentos pela participação em eventos, como o retiro em Alto Paraíso. O guru está empenhado em colocar o movimento a serviço de causas como educação e o meio ambiente, mas, por enquanto, o que aparece mesmo é o trabalho espiritual.
O dia no seu ashram – ou centro espiritual - começa às 7 horas da manhã, com uma sessão de meditação seguida de mantras falados e cantados. As pessoas vão chegando em silêncio na sala acarpetada, pegam uma almofada e sentam-se no chão, em geral de pernas cruzadas na posição de lótus. O rigor da moda entre as mulheres é usar legging sob o vestido e cobrir-se do frio matinal da chapada com um manto indiano. Os rapazes usam cachecóis coloridos da mesma origem.
À espera do guru. Em silêncio, os seguidores de Prem Baba se reúnem para a palestra do dia, o satsang (Foto: Ivan Martins)
Depois do longo silêncio da meditação, uma moça se apropria do microfone e começa a puxar os mantras, que são entoados em dueto com a audiência. Tudo em sânscrito, totalmente incompreensível, mas lindamente sonoro.  Depois começam os mantras cantados, e as pessoas se balançam gostosamente ao som de tambores e cítaras, de olhos fechados, repetindo em coro os versos ancestrais e insondáveis. A música em Alto Paraíso é executada por uma banda que mistura gente de várias nacionalidades e produz um som que às vezes me parecia francamente celestial.
Em sequida às orações matinais, há o café da manhã coletivo, que pode ser tomado em silêncio (no refeitório) ou em animada conversação, nos jardins. Entre as 9 e as 10 horas da manhã as pessoas conversam ou relaxam na cachoeira da fazenda (biquínis e sungas são bem-vindos), esperando a palestra de Prem Baba, chamada de satsang. Ela acontece no mesmo auditório das orações. Na hora dos mantras havia pouca gente, mas agora a sala se enche com mais de 200 pessoas.
Quando o guru entra, vestindo roupas claras que parecem uma túnica, as pessoa se levantam e colocam as mãos em posição de oração, como ele mesmo faz. Prem Baba caminha entre elas sorrindo e olhando nos olhos. Quando senta na poltrona branca, cercada de flores e símbolos indianos, a música inicia, desta vez como uma homenagem. Só depois de uns vinte minutos ele começa a falar. O faz por uns 40 minutos. Quando ele termina, a música retorna e as pessoas formam uma fila para estar na frente do guru por alguns segundos. Querem tocá-lo, dizer coisas ou fazer perguntas. Muitas desejam que ele abençoe colares, outras pedem para tirar fotografias. Vários choram, sobretudo as mulheres. Há muita comoção nesse momento. Em dias especiaias, como no aniversário de Krishna, a música sobe de intensidade, a percussão se acentua, e as pessoas cantam e dançam selvagemente, enquanto a fila avança. A cerimônia toma ares de rave espiritual, no melhor espírito afro-hindu-brasileiro. Uma farra.
Entre o satsang e o almoço – rigorosamente vegetariano - transcorre uma hora. Depois do almoço, os engajados fazem trabalhos voluntários. Pintam paredes, consertam cercas, pajeiam as crianças, corrigem textos. Também há reuniões de organização para tocar um movimento que começa a juntar milhares de pessoas em diferentes países e fusos horários. Muita gente nada, dorme nas redes ou se dedica de coração àquele momento delicioso em que o sinal de wifi se abre e todo mundo pode ler e mandar mensagens nas redes sociais.
Por volta das cinco da tarde, há novamente meditação e execução de mantras, desta vez na presença do guru. A sala fica cheia. Ele se senta de olhos fechados na poltrona, os pés descalços cruzados sobre uma almofada, e parece meditar (ou cochilar) na presença de todos. A música é ainda melhor que pela manhã. Segue-se o jantar às 8 horas da noite, e o dia se encerra.
Não há álcool em momento nenhum, não há carne e não há tabaco. Embora não haja proibição de sexo, homens e mulheres dormem em barracas ou chalés separados. O guru incentiva os relacionamentos, mas está preocupado em assegurar que os encontros em Alto Paraíso continuem sobretudo espirituais. Às 10 horas da noite, todo mundo parece estar na cama.
No dia do aniversário de Krishna, o guru autorizou uma Prem Sangha Dance, conhecida fora do núcleo dos prembabers como baladinha. Às 9 horas da noite havia DJ, havia um telão e havia um monte de gente dançando descalça com os pés na areia – mas as semelhanças com as baladas normais terminam aí. Faltava álcool, faltava agarração e sobrava algo que não existe nos clubes urbanos: música devocional. As pessoas em Alto Paraíso gostam de ouvir Madonna e Frenéticas, adoram Alceu Valença como todo mundo, mas piram mesmo quando toca uma canção caseira que fala sobre o amor celestial e as orações que vão salvar o planeta. Nesse sentido, parecia uma festinha de igreja – e, assim como uma delas, terminou pontualmente às 11 da noite. No dia seguinte, os devotos comentavam empolgados como a festa havia sido sensacional. Eu ouvia em silêncio, sorrindo com simpatia. Pelo menos não estava de ressaca.
Prem Baba e eu, numa parada da trilha. O guru tem fôlego. (Foto: Giovana Calandriello)

Os adeptos dizem que aquilo que praticam não é religião, mas parece. O próprio guru fala em “religião vertical” (baseada em auto investigação e experiência direta, com objetivo de transformar o praticante) em oposição a “religião horizontal”, que seria a crença baseada em dogmas e fundamentada apenas na obediência de regras.
O que se percebe em Alto Paraíso, para além das definições e explicações, é que o movimento criado por Prem Baba está fundado na comoção que ele provoca. A cola que mantém as pessoas unidas é a devoção pessoal ao guru, a cujos pés elas se prostram, cujos pés elas beijam. A emoção que gira em torno dele motiva os ritos catárticos e provoca a sensação gostosa de relaxamento que se percebe por toda parte. Prem Baba fala de meditação e autoconhecimento, mas o que salta aos olhos na rotina do seu ashram é a entrega emocional. Sua mensagem de amor se propaga sobretudo porque as pessoas parecem amá-lo intensamente.
A rotina serena do ashram – com suas repetições e seu relativo isolamento - permite um vislumbre dos prazeres da vida monástica. É tudo tranquilo e previsível. As pessoas estão voltadas para si mesmas e ao mesmo tempo encontram-se entre amigos. Partilha-se a sensação cada vez mais rara de pertencer a um grupo, que ademais é formado por gente bonita, simpática, instruída, que vive inspirada por uma filosofia de amor. Enquanto isso, os conflitos estão lá fora. Os dilemas estão lá fora. A terrível solidão e a brutalidade da vida das grandes cidades estão lá fora. Dentro, vive-se uma atmosfera de fraternidade e gentileza, emoldurada pela devoção.
Não é preciso ser discípulo de Prem Baba ou partilhar suas crenças para sentir-se acolhido no seu ashram e para ser emocionalmente tocado por tudo que ele oferece. Eu mesmo, no momento de me despedir do guru, durante a fila que se forma à frente dele ao final do satsang, senti que me emocionava novamente. A linda música indiana, as pessoas se ajoelhando diante dele... Aquilo é poderoso. Eu me aproximei, segurei suas mãos e agradeci pela experiência, com a voz embargada. Ele retribuiu com frases de carinho e amizade e eu me senti feliz como há tempos não me sentia.
Difícil é sair do ashram, pegar o carro que nos leva de volta ao aeroporto e à vida, sem uma profunda sensação de contrariedade. Diante da primeira manchete apocalíptica, diante da primeira tragédia em família, a vontade é voltar correndo. Lá dentro, entoando mantras milenares sob o olhar amoroso do guru, o mundo não dói.
SERVIÇO
. As diárias no ashram de Alto Paraíso (que incluem três refeições) custam R$ 170 por adulto no chalé, R$ 120 nas barracas coletivas e R$ 100 para quem levar sua própria barraca. Mais informações podem ser obtidas no site http://www.sriprembaba.org/ashram/alto-paraiso/temporada-2015
. O táxi entre Brasília e Alto Paraíso custa por volta de R$ 250 reais, apenas a ida ou a volta.
. A passagem de avião entre e São Paulo e Brasília custou R$ 590.
 
*Ivan Martins passou cinco dias no ashram de Alto Paraíso a convite de Prem Baba

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