17 julho 2011

Erva-Mate: Novas descobertas revelam propriedades fantásticas para a saúde e emagrecimento.

Pesquisa realizada na USP constatou que um fitoterápico feito a partir de extrato da planta Ilex sp reduz o peso de mulheres em 10,35% e de homens em 5,35%, em um mês. 



Rose Aielo Blanco*


Primeiro foi a Pholia Magra, - nome comercial de um fitoterápico que causou alvoroço como emagrecedor e chegou a ser batizado de “erva anti-barriga”. Apesar de febre nos Estados Unidos e em muitos países da Europa, a Pholia Magra é fabricada a partir do extrato de uma planta brasileiríssima: a Cordia ecalyculata Vell. ou Cordia salicifolia. No Brasil, esta espécie vegetal ocorre desde o estado de Minas Gerais até o Rio Grande do Sul, sendo encontrada também em Brasília e no Acre. Popularmente ela é conhecida como porangaba, cafezinho, café-do-mato, chá-de-frade e louro-salgueiro.
Depois da popularidade da Pholia Magra, eis que outra Pholia tem chamado a atenção e roubado a cena. Desta vez é a Pholia Negra – também nome comercial (TM) de um fitoterápico derivado do extrato concentrado de uma planta que, segundo várias fontes, tem origem indígena e é usada há séculos.
Sim, provavelmente você conhece a planta da Pholia Negra. Ela atende pelo nome científico de Ilex paraguariensis e é ninguém menos que a conhecida erva-mate!

Originária do Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, a erva mate recebe muitos nomes populares, entre eles, erveira, erva, erva-verdadeira, erva-congonha, erva-chimarrão, , chá-dos-jesuítas, chá-das-missões, congonha-das-missões, congonheira, mate-legítimo, mate-verdadeiro, chimarrão, tereré, tererê, chá verde nacional ou simplesmente mate. Quanto ao nome científico, são aceitas sinonímias: Ilex curitibensis Miers., Ilex domestica Reiss., Ilex mate St. Hill., Ilex sorbilis Reiss., Ilex vestita Reiss. e Ilex theaezans Bonpl.  Já para os índios, a erva mate tinha nomes como caá, caá-caati, caá-emi, caá-ete, caá-meriduvi, caá-ti, caá-yara e caá-yarií.

Presente de Tupã
Existem algumas lendas que cercam a erva mate. A maioria das referências conta que existia um guerreiro guarani já velho e sem vitalidade para os combates, caça ou pesca que vivia isolado com sua bela filha Yari, que dedicava todo seu tempo para cuidar dele com muito carinho.Um dia, Yari e seu pai receberam a visita de um viajante desconhecido a quem deram acolhida, alimento e descanso. Para acalentar o repouso do viajante, a jovem entoou um belo canto suave, mas triste.
Ao amanhecer, o viajante declarou que era um enviado de Tupã e que para retribuir-lhes toda aquela hospitalidade atenderia a qualquer desejo. O velho índio, sabendo que sua jovem filha se isolara para poder cuidar dele, pediu que lhe fossem devolvidas a força e a vitalidade, para que Yari se tornasse livre.
Assim, o mensageiro de Tupã entregou ao índio um galho de árvore de Caá, ensinando-lhe a preparar uma bebida que lhe devolveria todo o vigor. Para completar, transformou Yari  em Caá-Yari  - a deusa da erva-mate e protetora da raça guarani. E foi assim, que a erva-mate passou a ser usada por todos os guerreiros da tribo, tornando-os mais fortes e valentes.

Um pouco da história....
Apesar de hoje a Ilex paraguariensis ser muito famosa por suas qualidades, em outros tempos a história foi bem outra. Os colonos espanhóis, instalados na região do Paraguai, logo observaram que os índios apreciavam demais aquela bebida preparada a partir das folhas de mate, por seus efeitos revigorantes, estimulantes e – diziam – afrodisíacos. Pronto! Foi o suficiente para que os jesuítas espanhóis proibissem seu consumo, batizando a planta de "erva do diabo".   
Durante a proibição do uso da erva-mate, os jesuítas castigavam duramente os índios desobedientes. Chegaram a instituir, como último recurso, a "excomunhão" daqueles que insistiam em tomar o mate. Usavam como estratégia incutir a idéia de que Anhangá – o deus do mal na mitologia índia - havia enfeitiçado os ervais, transformando a erva em um poderoso e mortal veneno.
Já os índios, por seu lado, sempre davam um jeito de derrubar a versão dos jesuitas. Os sábios pagés, que conheciam o valor da erva-mate, logo criaram um antídoto para o “veneno" de Anhangá: bastava não tomar a primeira ceiva da infusão. Ela deveria ser cuspida fora por cima do ombro esquerdo e, a partir daí, podia-se, tranquilamente, tomar o restante do mate, sem temer o envenenamento.
Mas essa história durou pouco. Logo, os espanhóis experimentaram e aprovaram a bebida, adotando-a como integrante básico em sua alimentação. Daí para a grande virada, foi um passo.  Os jesuítas, que realizavam as chamadas missões ou reduções, começaram a organizar o cultivo e a produção da erva-mate e passaram a abastecer os colonos espanhóis em toda a área da bacia platina (compreendendo as regiões da Argentina, Paraguai, Uruguai e Rio Grande do Sul). A erva então deixou de ser “do diabo” e passou a render aos jesuítas grandes lucros com o seu comércio.
Mais tarde, por volta do século XIX, o Paraguai se isolou dos outros países e proibiu a exportação de erva-mate. A medida fez com que a Argentina e o Uruguai substituíssem a erva-mate paraguaia pela brasileira, impulsionando seu cultivo no Paraná e em Santa Catarina. Foi o chamado Ciclo da Erva-Mate no Brasil.
Bem antes disso, a fama da erva-mate corria solta e atraiu também a atenção do rei de Portugal, como ficou registrado numa de suas comunicações com a colônia:
“… D. João, por graça de Deos, Rey de Portugual e dos Algarves, d’aquem e d’alem Mar, em Africa, senhor da Guinée…  – Faço saber a vós, Rodrigo Cezar de Menezes, Governador e Capitão General da Capitania de São Paulo, que ca se tem notícia que nas terras dessa Capitania ha herva a que chamão Congonha, e os Castellanos ‘La Provechosa’ [ a proveitosa]…, porque della se diz poder tirar grande utilidade: Me pareceo de alvitre ordenarvos envieis a este Reino a ordem do meu Conselho Ultramarino,  um caixão da dita herva com a receita da forma como se uza della…”.
E por falar em forma de usar, uma outra curiosidade é que a maioria das referências que pesquisei afirmam que a bebida originalmente era preparada apenas com água fria pelos nativos e pelos primeiros conquistadores espanhóis. Somente mais tarde, quando organizaram seu cultivo e exportação, é que os jesuítas inventaram o hábito de beber o mate com água quente, ao invés de fria.  Uns dizem que foi para imitar o preparo do chá (Camellia sinensis) na Europa, mas tudo indica que a verdadeira razão era o receio de contrair doenças bebendo água sem ferver.

A planta como ela é....
Erva-mate
Nome científico: Ilex paraguariensis (sinonímia: Ilex curitibensisI. dométicaI. mate, I. sorbilis, I. vestita, I. theazans)
Família: Aquifoliáceas
Origem: Sul do Brasil, nordeste da Argentina e leste do Paraguai.
A erva-mate é uma planta perene, de porte arbóreo a grande, possui tronco de cor cinza-claro a castanho. Suas folhas apresentam cor verde-clara a verde-escura, com nervuras salientes na face inferior. Tanto as folhas como os ramos novos são usados no preparo de uma bebida que recebe nomes de acordo com a forma de preparo: chimarrão (feito com água quente); tererê ou tereré (preparado com água fria) ou infusão (quando se usa água fervente).
As flores são pequenas, brancas e surgem agrupadas nas axilas das folhas com os ramos, mais tarde elas se transformam em bagas de cor vermelho brilhante.
A planta se desenvolve bem em condições de clima frio a ameno, em solos bem drenados e ricos em matéria orgânica. Não se dá bem em solos compactados.
A propagação é feita por meio de mudas obtidas de estacas enraizadas e retiradas de ramos ou de mudas originadas de brotações das raízes. O cultivo por meio de sementes não é indicado, porque demoram muito para germinar, em razão da sua dormência.
A dificuldade com o plantio por meio de sementes acabou por gerar outro fato interessante: na época em que os jesuítas dominavam o cultivo da erva-mate, os senhores coloniais queriam a todo custo entrar naquele mercado, mas encontraram muita dificuldade, pois não conseguiam fazer com que as sementes germinassem. O método usado pelos jesuítas para produzir as mudas de erva-mate sempre permaneceu envolto em mistério, o que deu margem a várias teorias. Uns diziam que as sementes eram escaldadas em água quente, outros afirmavam que antes do plantio os jesuítas davam as sementes para aves domésticas ou não (falou-se até em tucanos) e só as plantavam após serem expelidas. Algumas referências afirmam, ainda, que eles obrigavam os índios das missões a ingerir as sementes inteiras, para que os sucos gástricos dissolvessem o invólucro de proteção que as impedia de germinar.


Propriedades
Um dos primeiros estudos científicos mais detalhados sobre as propriedades da erva-mate em terras brasileiras foi realizado por Joaquim Monteiro Caminhoá, professor de Botânica Médica, que o publicou em fascículos, entre 1877 e 1884.
Por ser uma planta de composição química complexa, a Ilex paraguariensis tem sido alvo constante de estudos e novas descobertas. Além do que já se conhece, as pesquisas têm indicado grandes surpresas com relação a esta planta.

Atualmente, sabe-se que a erva mate contém várias substâncias bioativas. A planta contém alcalóides (cafeína, metilxantina, teofilina e teobromina), taninos (ácidos fólico e caféico), vitaminas (A, B1, B2, C e E), sais minerais (alumínio, cálcio, fósforo, ferro, magnésio, manganês e potássio), aminoácidos essenciais, glicídios, lipídios, além de celulose, dextrina, sacarina e gomas. Muitos especialistas são unânimes em afirmar que a erva-mate pode ser considerada um alimento quase completo, pois contém a maioria dos nutrientes necessários ao organismo.
Os polifenóis e flavonóides constituem cerca de 30% da erva-mate e são responsáveis pelo gosto adstringente. Já os alcalóides cafeína, teofilina e teobromina são considerados os de maior interesse terapêutico.
De acordo com a literatura especializada, a erva-mate é considerada um estimulante que combate a fadiga, a sede e a fome, estimula a atividade física e mental, atuando de forma benéfica sobre os nervos e músculos. A planta tem demonstrado, ainda, propriedades diuréticas e laxativas,
Vale lembrar que as pesquisas estão apontando também que a combinação dos alcalóides presentes na planta - cafeína e teofilina - e a ação termogênica pode aumentar o gasto energético e, simultaneamente, promover a lipólise, isto é, a degradação das gorduras no organismo. Isso ajuda a explicar porque a Ilex paraguariensis tem feito tanto sucesso nos programas de emagrecimento.
Mas fica aqui o alerta dos especialistas: apesar de todos esses benefícios, a erva-mate deve ser usada com muita cautela pelos hipertensos, cardíacos e por quem sofre de insônia, agitação e tensão emocional.
E de onde vem o poder afrodisíaco que os índios atribuíam à erva-mate? Os estudos na área de nutrição também estão achando uma resposta para esta questão: o fato é que a Ilex paraguariensis contém altas concentrações de vitamina E, considerada eficaz na regulação das funções sexuais.


Curiosidades sobre a Ilex paraguariensis:
* Os índios da Bolívia, após retirarem o mel, utilizavam a sobra do favo para misturar com as folhas da erva mate e preparar um afrodisíaco usado contra a impotência e a infertilidade.
* O nome científico da erva mate – Ilex paraguariensis – foi dado pelo naturalista  francês Auguste Saint-Hilaire, em 1822. Durante seis anos, ele percorreu as províncias do centro e do centro-sul do Brasil, recolhendo pelo caminho um grande acervo botânico, registrando suas andanças num diário de viagem que foi publicado na França, anos depois, em diversos volumes.

* A palavra “mate” vem do vocábulo quíchua “mati” ou “matty”, que significa “porongo” – a cuia normalmente usada para tomar o chá mate.

* Um estudo realizado pela USP apontou a ação da erva-mate na prevenção e tratamento da aterosclerose, doença causada pelo acúmulo de gordura nas artérias.

* Um estudo feito por cientistas da Universidade do Extremo Sul de Santa Catarina indicou que a erva mate pode ser útil contra o Mal de Parkinson. Depois de testar o extrato da planta em ratos induzidos à doença, eles observaram que algumas de suas substâncias mostraram-se capazes de protegê-los. Em outra investigação os animais receberam o fitoterápico com a medicação tradicional e os resultados foram ainda mais significativos. Parte das cobaias chegou a recuperar completamente os movimentos. Apesar de preliminar, o estudo comprovou que “a erva-mate pode ser utilizada na prevenção desse mal degenerativo e também como coadjuvante no tratamento”, afirmou a farmacêutica Luciane Costa Campos, chefe da pesquisa.
* Inicialmente os jesuítas tentaram uma campanha de difamação contra a erva-mate - que chamavam a “erva-do-diabo”. Mais tarde, quando passaram a dominar seu cultivo, passaram a chamá-la “erva-de-São Bartolomeu” e começaram a incentivar o seu uso com o objetivo de tratar o alcoolismo.
* Tamanha era a veneração que os índios tinham pela erva-mate – a qual chamavam  "Erva de Tupá" - que, assim como os antigos egípcios faziam com seu Livro dos Mortos, os incas colocavam alguns ramos de erva-mate junto aos seus mortos, como forma de "abrir-lhes" os caminhos para o mundo do além-túmulo.


*Rose Aielo Blanco é jornalista especializada em jardinagem e ecologia, além de editora do Jardim de Flores.

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http://lojadojardim.com/SubCategoria-Erva-Mate--128.aspx

Fontes de Pesquisa
http://www.das.ufsc.br
http://www.clubedasemente.org.br/mate.html
* Obesity (2009) 17 12, 2127–2133. Antiobesity Effects of yerba maté Extract ( Ilex paraguariensis ) in High-fat Diet–induced Obese Mi1-Altamari L. R.et al Cafeína: Efeito ergogenico nutricional no esporte. Rev.Bras. Cienc.,v.9 ,n.3 ,p.57 -64,jul.2001
* Antiobesity Effects of yerba maté Extract ( Ilex paraguariensis ) in High-fat Diet–induced Obese Mice Antiobesity-  Efeitos do Extrato de erva-mate (Ilex paraguariensis) em alta de gordura da dieta induzida ratos obesos - Obesity (2009) 17 12, 2127–2133. Obesity (Silver Spring, Md.), v. 17, p. 2127-2133, 2009  -Demétrius P. Arcari 1 , 2 , Bartchewsky Waldemar 1 , Tanila W. dos Santos 1 , A. Oliveira Karim 1 , Alexandre Funck 1 , José Pedrazzoli 1 , FF Marina de Souza 2 , Mário J. Saad 3 , Deborah HM Bastos 2 , Alessandra Gambero 1 , Patrícia de O. Carvalho 4 e Marcelo L. Ribeiro 1
*CARINI, M. et al. Characterization of phenolic antioxidants from maté (Ilex paraguariensis) by liquid chromatography/mass spectrometry and liquid chromatography/tandem mass spectrometry. Rapid. Comm. Mass. Spectrom., v. 12, n. 22, p. 1813-1819, 1998.
* FELIPPI, R. Efeito do extrato aquoso de erva-mate (Ilex paraguariensis) na reatividade vascular: enfoque na aterosclerose experimental. 2005. 130f. Dissertação (Mestrado em Farmácia) – Programa de pós-Graduação em Farmácia, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2005.
* HALPERN, A.; MANCINI, M. C. Tratamento Farmacológico da obesidade – drogas termogênicas. Arq. Bras. Endocrinol. Metab., São Paulo, v.40, n.4,p.224-227, 1996.
* HEINRICHS, R.; MALAVOLTA, E. Composição mineral do produto comercial da erva-mate (Ilexparaguariensis St. Hil.) Ciênc. Rural, v. 31, n. 5,p. 781-785, set./out. 2001.
* A. Funck. Efeitos anti-obesidade da erva-mate (Ilex paraguariensis) em camundongos. Dissertação de Mestrado (Strictu Sensu), Universidade São Francisco, 2008.
*E. C. de Morais, et al. Consumption of yerba mate (Ilex paraguariensis) improves serum lipid parameters in healthy dyslipidemic subjects and provides an additional LDLcholesterol reduction in individuals on statin therapy. J. Agri
c. Food Chem. v.57, p.8316- 8324, 2009.
* FELIPE, G. No Rastro de Afrodite: Plantas afrodisíacas na culinária.
*TUBINO, W. Os mistérios ocultos no chimarrão", Edição do autor, 2001


Fonte: http://www.jardimdeflores.com.br/floresefolhas/A57ilexparaguariensis.htm

14 julho 2011

Tantra = Sexo?




Pedro Kupfer* 


Algumas pessoas têm me procurado solicitando informações sobre 'aulas de Tantra'. Como não sei exatamente o que elas entendem por Tantra, fico me perguntando como poderia ajudá-las a encontrar o que buscam, ou a evitar as armadilhas em que se arriscam a cair.
Para começar, vamos dizer o que o Tantra não é. 
Tantra não é um guru mequetrefe prometendo orgasmos múltiplos e iluminação e cobrando mundos e fundos por isso. 
Tantra não é uma prostituta com nome de deusa oferecendo seus serviços na internet
Tantra não é um grupo de alienados carentes se excitando e alisando em nome da hiperconsciência. 
Tantra não é sacanagem, nem infidelidade institucionalizada. 
Tantra não tem nada a ver com "soltar a franga". 
Tantra não é tara.
Aquilo que os clones tupiniquins de Osho chamam de Tantra, não é o Tantra. Os cursos de Tantra associados à sensualidade, técnicas sexuais e promessas de iluminação através da excitação sexual têm como objetivo sustentar a forma de vida de certos autodenominados 'mestres', que buscam satisfazer seus próprios desvios sexuais e desejos de manipular pessoas, ganhando um dinheirinho de quebra.
Então, o que significa essa palavrinha de seis letras? Tantra é o nome de um vasto leque de ensinamentos práticos que têm como objetivo expandir a consciência e libertar a energia primal do ser humano, chamada kundaliniO princípio comum a todos os caminhos práticos de Tantra é que as experiências do mundo material podem usar-se como alavanca para conquistar a iluminação, já que este é a manifestação de uma outra realidade, sutil e superior, que está conectada com a nossa própria natureza.
Nesse contexto, a visão do Tantra associada ao êxtase sexual é pateticamente superficial e parcial, se comparada com a verdadeira tradiçãoO Tantra não é hedonista nem orgiástico

O objetivo do Tantra é o despertar da força potencial no homem.
Um colega, professor de Yoga, comentou recentemente que apenas 10% dos textos tântricos tratariam sobre sexo. Pessoalmente, acho esse número demasiado elevado. Dos muitos shastras que consegui garimpar na Índia, em sânscrito e em inglês, não têm sequer um que trate em detalhe da sexualidade. Algumas técnicas sexuais, como a reabsorção seminal após a ejaculação (vajroli), se descrevem, por exemplo, na Hatha Yoga Pradípika.
A única obra hindu que conheço que trata explicitamente sobre sexualidade, e como aumentar a performance na cama, é o Kama Sutra, que não é um shastra tântrico e que, por sinal, fala muito mais sobre ética do que você poderia pensar sem ter a obra em mãos (1).
Embora existam diversas vertentes dessa tradição, todas têm o mesmo objetivo e usam as mesmas ferramentas para atingi-lo: mantras (sons de poder), yantras e mandalas (diagramas sagrados sobre os quais se exerce a concentração), chakras (centros da força vital), práticas de iniciação e purificação e um sistema ético que une e protege o grupo de praticantes. Essa lista de práticas é incompleta, pois os métodos dessa tradição incluem um espectro muito amplo de crenças e técnicas.
Tantra significa literalmente tecidourdidura; pode ser traduzido como 'espargir o conhecimento' ou 'a maneira certa de se fazer qualquer coisa', tratadoautoridadeestendermultiplicarcontinuar.
Também designa o encordoamento do sitar ou outro instrumento musical. 

É o nome de um movimento filosófico que compartilha suas principais premissas com a filosofia do Yoga, herança e patrimônio da cultura dos rios Indus e Sarasvati. O culto da Grande Mãe está presente na Índia desde o neolítico (8000 a.C.), mas os mesmos símbolos que o tantrismo utiliza hoje remontam ao paleolítico (20000 a.C.) e estiveram sempre presentes ao longo do continente eurasiano.
O Tantra não pertence à tradição ortodoxa hindu, já que não existe um darshana com esse nome. Sua visão do mundo é herança e síntese da Índia aborígene e da Índia vêdica, muito mais antigas do que imaginaram os estudiosos ocidentais do século XIX. É uma forma de ver a vida e cada um de seus aspectos.
Há diferentes linhas do tantrismo: o Dakshinachara, linha da 'mão direita',ou de tantrismo branco, se justapõe, através dos 'rituais de compensação', ao Vámachara, corrente da 'mão esquerda', do tantrismo negro, corrente na qual se destaca a escola Kaula, fundada por Matsyedranatha por volta de 900 d.C.
O tantrismo negro se caracteriza pelos rituais de transgressão, como opañchamakara (os cinco m), no qual o praticante utiliza a ingestão de bebidas embriagantes, carnes e o coito ritual como meios de chegar à sacralidade. Podemos identificar alguns desses rasgos no Rig Veda, nas libações ceremoniais do soma e nos rituais sexuais. No ritual de compensação do Dakshinachara, o vinho é substituído por água, a carne por coco seco, o coito pelo culto da Shakti, etc.

Yogini Tantra (V:14) diz:
"Madya, o vinho, é o conhecimento intoxicante do Parabrahman adquirido através do Yoga, que isola o praticante do mundo exterior. Mamsa não é a carne, mas o gesto em que o sadhaka consagra todos seus atos à Shaktí.Matsya, o peixe, é o conhecimento sáttvico pelo qual o adorador sente compaixão pelo prazer e a dor de todos os seres. Mudra, o cereal tostado, simboliza a renúncia a todas as formas do mal, que conduzem a novos condicionamentos. Maithuna é a união da kundalini shakti com Shiva no corpo do adorador."
Um dos artigos de fé do povo vêdico era, portanto, que a união sexual conduzia à bem-aventurança do além e devia cumprir-se com verdadeiro espírito religioso para assegurar o bem-estar espiritual, censurando-se severamente a lascívia." S. B. Lal Mukherjí, ensaio em Shakti y Shakta, de Sir John Woodroffe, p. 83.

A visão cosmogônica do Tantra, com suas perguntas essenciais, evidencia uma atitude especulativa sobre a antropogênese que a vincula ao Samkhya. A cosmogonia se caracteriza pela união dos opostos: isto é, se trata de uma coincidentia oppositorum, conjunção dos opostos que se complementam. Essa idéia não é original do Tantra: existiu em outras cosmovisões ao longo da história da Humanidade; mas o tantrismo recupera para si esse princípio, muito mais antigo que ele próprio.
Esses dois princípios em coincidentia oppositorum são Shiva e Shakti. Os rishis, sábios ascetas do alvorecer do pensamento hindu, chamaram Brahman ou Shiva o princípio primordial. Tudo existe em função dele, tudo é reflexo e evidência da sua realidade. Não há noção de criação do mundo nem há Deus: no plano macrocósmico, Shiva é, parafraseando Aristóteles, o motor imóvel do mundo. É o Princípio Imutável e Eterno, nem ativo nem criador. Ele não faz nada: apenas é. Sua manifestação é Shakti, palavra que significa energia e, por extensão, esposa. Shakti é a Prakriti, a Natureza do Samkhya, a energia criadora que provoca a manifestação do Universo.
Shiva é inabalável: a ele pertencem o Ser e a Consciência; à Shakti correspondem o movimento, a mutabilidade e a geração. Esses dois princípios se representam na iconografia do tantrismo unidos no viparíta maithunaShiva aparece deitado ou sentado, imóvel, enquanto Shakti está sempre sobre ele, ativa no ato da manifestação.
Esse modo de pensamento não é religioso, dogmático ou doutrinário, mas estritamente especulativo. Dessa maneira, o Tantra, assim como o Samkhya, se aparta de outras visões que incluem os conceitos de criação, divindade, origem do mundo, et coetera.
Contudo, o Tantra possui uma certa semelhança com algumas formas de panteísmo: O que está aqui, está em toda parte; o que não está aqui, não está em parte alguma. Daí provém o culto à Natureza e à feminilidade. Para o Tantra, o mundo tangível é bem real: ilusório é pensar que o Ser (Shiva) intervenha ativamente no Universo manifestado.
Agora, vamos falar um pouco sobre a parte do Tantra que se ocupa do sexo ritual. A incompreensão do Tantra e o simbolismo que o transmite colaborou para considerá-lo repulsivo, vergonhoso e digno de escárnio. A preocupação daquele que condena o Tantra é fruto da sua própria obsessão com a questão sexual, que o leva a querer coartar a liberdade dos demais. Nesse sentido, o tantrismo é totalmente natural, e a sua abordagem do sexo não é patológica, mas absolutamente sadia, de uma espontaneidade difícil de aceitar para os padrões da 'decência' cristã.
Maithuna, o ritual sexual, não tem nada a ver com pornografia ou licenciosidade, muito pelo contrário, é um instrumento que revela a dimensão divinal da natureza humana. Entretanto, nos últimos tempos, têm surgido mestres inescrupulosos que vendem sexo como se fosse superconsciência, o que acaba por divulgar e tornar conhecidas no Ocidente unicamente as formas mais vulgares e degradadas do Tantra.

"O maithuna é a técnica tântrica que mais fascina os ocidentais, que com demasiada freqüência confundem-na com uma indulgência para com os apetites sexuais, em vez de vê-la como meio para dominá-los." 
Daniel Goleman,  A Mente Meditativa, p. 98.



*Pedro Kupfer nasceu em Montevidéu, Uruguai. Hoje com 43 anos de idade, descobriu o Yoga aos 16, e desde aquele momento nunca parou de praticar. Pedro traçou uma longa trajetória no mundo do Yoga, sendo um entusiasta praticante e autor de sete livros sobre esta filosofia. Ele bebeu na própria fonte do Yoga, a Índia, desde muito cedo. Retorna todo ano para aquele país, a fim de actualizar seus conhecimentos e aperfeiçoar-se na via do Yoga e no Vedanta, junto ao seu mestre, Swami Dayananda. Atualmente, vive junto com sua companheira Ângela Sundari na estrada, entre a Ásia e o Brasil. Pedro Kupfer é Diretor Executivo da Aliança do Yoga, do Brasil.

03 julho 2011

Mamão, mais um tesouro da Natureza.

Como eu já tive "gastrite aguda" (posso provar por imagem de endoscopia), (nem um copo de água podia ingerir, que me dava azia), o próprio médico, há uns 20 anos, recomendou-me, ao invés de Tagamed e outros remédios que vinha me receitando por quase dois anos), que, de manhã, por 30 dias, me limitasse a comer um "mamão papaya", (de que já ouvira maravilhas para curar gastrites e afins).  
Nesse período, até as 10 horas, não deveria ser tomado nenhum líquido. Café, chás ou outras bebidas que contivessem pó,nesses 30 dias não poderiam ser tomados em hipótese alguma. 
Pois qual não foi nossa surpresa, quando ao final dos 30 dias, em nova endoscopia, meu aparelho digestivo não apresentava mais nenhum sinal de gastrite. Transmito isso, pois sei que muitas pessoas se abstém de comer doces ou outras iguarias porque logo vem a dolorosa azia. Desde que comecei a comer, todo dia, um ""mamão papaya, de manhã, nunca mais tive qualquer sintoma de azia ou mal estar. Posso comer doces, chocolates, etc.! 
Ah!... sem contar que naquela ocasião também sofria de hérnia hiatal, a que provoca o refluxo ...!
Assim sendo, aproveitando o envio, por um amigo, do artigo abaixo, remeto-o a você, porque, talvez, um dia possa lhe ser útil, ou a algum amigo seu. 
Um abraço.

Luiz Carlos Negrine 





Mamão, um tesouro ao seu alcance 

O mamão (Carica papaya), originário da América Tropical, é uma das melhores frutas do mundo, tanto pelo seu valor nutritivo, como pelo poder medicinal. 

Cada parte desta planta é preciosa, a começar pelo tronco! De sua parte interna, retira-se uma polpa que - depois de ralada e seca - semelha-se ao coco ralado. É rica em propriedades nutritivas e aproveitada em alguns lugares no preparo de deliciosas rapaduras.
• O cozimento das raízes dá um tônico para os nervos, e é também remédio para as hemorragias renais.
• As folhas do mamoeiro, após secas à sombra, têm aplicação no preparo de agradável chá digestivo que pode ser dado livremente às crianças, pois não contém cafeína.
• O suco leitoso extraído das folhas é o vermífugo mais enérgico que se conhece. Usa-se diluído em água. 
• Ainda é digestivo e cura feridas. Em diversos lugares, a medicina popular o utiliza para tratar eczemas, verrugas e úlceras.
• Os índios preparam a carne envolvendo-a com folhas de mamoeiro por algumas horas antes de levá-la ao fogo. Este processo amacia a carne. 
• Com as flores do mamoeiro macho prepara-se um maravilhoso xarope que combate a rouquidão, tosse, bronquite, gripe e indisposições gástricas causadas por resfriados.
• Coloca-se um punhado de flores, com um pouco de mel em vasilha resistente ao calor, mas que não seja de alumínio. Acrescenta-se um copo de água fervendo, tapando-se bem. Depois de esfriar, toma-se às colheradas, de hora em hora. 
• Com o fruto verde faz-se um doce maravilhoso. Pode-se também prepará-lo ensopado ou ao molho branco. É uma iguaria!
• O mamão maduro é altamente digestivo (cada grama de papaína - fermento solúvel contido no fruto digere 200g de proteína); tem mais vitamina C que a laranja e o limão; contribui para o equilíbrio ácido-alcalino do organismo;
• é diurético, emoliente, laxante e refrescante; cura prisão de ventre crônica comido em jejum, pela manhã, faz bem ao estômago é eficaz contra a diabete, asma e icterícia; bom depurativo do sangue; não pode faltar na alimentação da criança, pois favorece o seu crescimento.
• Depois de comer-se o mamão, esfrega-se a parte interna da casca sobre a pele para tirar manchas, suavizar a pele áspera e eliminar rugas.
• Mastigar de 10 a 15 sementes frescas elimina vermes intestinais, regenera o fígado e limpa o estômago. Comidas em quantidade, são eficazes contra câncer e tuberculose.
• Faltava dizer que qualquer uso que se faça de qualquer parte desta planta, traz consigo uma ação vermífuga poderosa, o que bastaria para destacar sua importância. 

Melhor que consumir frutos do supermercado (colhidos verdes e amadurecidos à força no carbureto), é colhê-los já maduros no pé, no próprio quintal pois além disso serão livres de agrotóxicos. 
Num espaço bem apertado cabem vários mamoeiros. Eles gostam de terra boa, bem adubada. Por exemplo, com lixo de cozinha ou com uma "Boca da Terra". 
O consumo do mamão é recomendado pelos nutricionistas por se constituir em um alimento rico em licopeno (média de 3,39 mg em 100 gr), vitamina C e minerais importantes para o organismo. Quanto mais maduro, a maior a concentração desses nutrientes.


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