08 abril 2009

A Física Desvela a Consciência
Mais conhecido entre nós por seu livro O Universo Autoconsciente (Editora Rosa dos Tempos), o físico quântico Amit Goswami é um raro exemplo de cientista transformado por seu próprio trabalho. Ele antevê o definitivo deslocamento do paradigma científico materialista e conserva boas esperanças
no futuro da comunidade planetária, que pode começar a abrir sua mente colaborando com a força criadora da consciência.
Por ROMEO GRACIANO

Foto: Wander Rodrigues


Todos os anos, desde 1996, Amit
Goswami vem ao Brasil a convite
da Unipaz (Universidade da Paz), com a qual compartilha a mesma iniciativa de divulgar valores espirituais e quânticos. De origem indiana e radicado nos Estados Unidos, Amit, Ph.D., é professor-titular de física quântica no Instituto de Física Teórica da Universidade de Oregon e se destaca, entre seus congêneres, por contribuir para uma nova visão de mundo que desvela a natureza espiritual da consciência. Durante sua visita a São Paulo, realizada em meados de junho, ele nos recebeu para a seguinte entrevista:

PLANETA – Qual o foco de suas pesquisas atuais?
Amit – Agora estou concentrado nos estados extremamente elevados de consciência, o que na Índia é chamado de samadhi.

PLANETA – Como a comunidade científica encara a sua afirmação de que a consciência cria o mundo físico?
Amit – Existe uma negligência (não má vontade), de certa forma benéfica, por parte da comunidade científica. Talvez essa reserva deva-se ao fato de se achar que não é preciso ir tão longe quanto eu quero ir para chegar a uma conclusão necessária. Por outro lado, existem alguns cientistas, fora da comunidade dos físicos, que já estão chegando tão longe quanto eu. São os psicólogos. A psicologia é uma dessas ciências que acompanham a mesma busca. A maioria das pessoas que realmente se aprofunda na física quântica acaba concluindo que este é um sistema valioso.



Não somente a consciência não depende do cérebro como é o cérebro que depende da consciência.
PLANETA – E onde você quer chegar?
Amit – Não é tão distante. Parece distante para as pessoas que acreditam que a ciência e a religião não devem estar incluídas no mesmo conjunto, que acham que elas não combinam.

PLANETA – Principalmente nos Estados Unidos, onde a sociedade é muito materialista...
Amit – Na verdade, eu passei boa parte da minha vida como materialista, mas também era integrante da comunidade científica. Nos Estados Unidos há uma concentração de pessoas, na costa oeste, que vivem, por assim dizer, no “limiar” (fazendo uma metáfora com a falha geológica da costa californiana). Deepak Chopra, por exemplo, mora em San Diego; Fritjof Capra, no Oregon; Peter Russel e eu moramos em San Francisco. Nos Estados Unidos existe esse materialismo profundo, porém, quanto mais profundo ele se torna, maior é a necessidade da espiritualidade. Eles partem do ponto de vista de uma espiritualidade materialista, ou seja, de uma espiritualidade que tenha uma meta. Chogyam Trungpa criticava muito seus alunos dizendo que eles praticavam uma espiritualidade para chegar a algum lugar. E é exatamente o contrário. A espiritualidade é você aprender que não tem de chegar a lugar algum, pois você já traz em si esse potencial.

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